Muitas pessoas com quem converso sobre estudos dizem que não foram feitas para estudar determinado tema. Elas geralmente atribuem tal trauma a algum professor do passado que as traumatizaram em tal matéria. Por que isso é tão recorrente? Existem milhares de respostas corretas, mas vou me dedicar em tentar descrever minhas experiências com o cérebro e o aprendizado para que você aluno manipule seu processo de aprendizado de forma consciente, e você professor, possa auxiliar seus alunos nesta tarefa.

Entenda o processo de aprendizagem (de forma simplificada)

Nosso cérebro registra informações aprendidas através estímulos em seus neurônios. Quanto mais praticamos um determinado conhecimento através de diferentes sentidos, mais forte e necessário este neurônio fica, ou seja, a chance de ele ser apagado para a gravação de uma nova informação é reduzida. Por exemplo, ao ler uma história, falar sobre ela e então fazer um resumo escrito, você criou diferentes estímulos neste neurônio, que fica mais forte a cada “choque” que ele leva de nossos sentidos.

Um dos estímulos mais fortes é sem dúvida o visual. Você já deve ter ouvido a velha frase “uma imagem fala mais que mil palavras.” Bem, ela é tão verdadeira que as principais formas de memorização usam imagens mentais, mas vamos fazer um simples teste que prova o quanto nossa visão captura informações. Veja a seguinte imagem:

Como seria o texto que descreve exatamente esta imagem, mínimo detalhe por detalhe? Pois é, seria gigantesco e incrivelmente tedioso de ler! Provavelmente nos perderíamos no meio da leitura e a imagem mental não seria criada da forma desejada. Por isso a importância  de variar nos estímulos na hora de aprender ou ensinar. É claro que não é possível usar imagens para ensinar todos os temas existentes. Podemos, porém, criar explicações e exercícios mentais que estimulam a criação da imagem mental nos aprendizes. Assim o registro da informação seja mais forte e duradouro.

Quanto mais você aprende, mais facilmente o cérebro aprende

A afirmação acima chega a ser engraçada de tão óbvia, mas poucas pessoas aplicam este conceito a suas vidas. Ao aprender novas coisas, pouco ou nada relacionadas aos temas mais compreendidos por você, você cria conexões e troca de informações entre neurônios. Estes então se unem e aumentam a capacidade de armazenamento do seu cérebro. Isso acontece pois quando você aprende algo novo, consciente ou inconscientemente, você associa a lógica por trás disso com algum conhecimento prévio, o que reforça a importância de tal informação e conecta os neurônios associados. É por isso que geralmente ao se lembrar de um tema ou dado específico, você se lembra de alguma piada ou outro dado semelhante associado a esta memória.

Por isso a importância de estar sempre aprendendo, mesmo que sobre coisas nada relacionadas com nossos interesses. Assim você melhora o desempenho do seu cérebro para os seus interesses e necessidades! Uma dica importante é tentar associar a lógica de um novo aprendizado à uma informação que você já conhece. Por exemplo, ao estudar o funcionamento do computador, assumindo que você conheça um pouco sobre o cérebro humano, você pode fazer uma associação de como o funcionamento do computador é parecido com o do cérebro.

Criar novos hábitos é um esforço muito grande, mas quanto mais hábitos você consegue criar, mais fácil fica a criação de novos hábitos. Estudos comprovam que você precisa em média de 21 dias para criar um novo hábito, portanto não desista tão rapidamente! Além disso, a habilidade de criar novos hábitos é altamente valiosa no mundo profissional pois indica grande controle emocional e disciplina.

Emoções também são estímulos (ou os piores inimigos deles)

Um fator muito importante na hora do aprendizado é o controle emocional (falei um pouco disso aqui). As emoções são como uma forçada na caneta ao escrever um texto. Se você usar direito, intensifica o registro, mas se você errar, estraga o registro todo ou parte dele.

Isso acontece porque nossas emoções funcionam como um estímulo que registra informações secundárias dos cenários e situações que vivenciamos. Por exemplo, ao ficar com medo de errar na sala de aula, um aluno cria um conjunto de alertas em torno deste ambiente e especialmente em torno do tema e as pessoas envolvidos. Uma estratégia é transformar essa tensão em motivação. O professor pode fazer isso com diferentes formas de motivar o aluno a não aceitar que o erro é um problema e guiá-lo até a forma ideal de se expressar e então compreender definitivamente o tema. O aluno autodidata deve criar o hábito de lutar contra a vontade de evitar o constrangimento e transformá-lo em um degrau para o aprendizado e possivelmente memórias engraçadas para contar no futuro.

Veja como as emoções influenciam seu cérebro ao guardar informações. Eu sempre uso os seguintes exemplos para meus alunos: Imagine que você foi à uma festa na casa de seu chefe ou alguém que você respeita muito. Você chama a esposa ou o marido desta pessoa pelo nome errado durante a festa toda e somente no final a pessoa te corrige. Aquela sensação é uma emoção dizendo ao seu cérebro “deu ruim” guarde esta informação para que eu não passe por isso novamente. Por isso bom humor e alguma exposição com leves doses de constrangimento, quando bem utilizados, são excelentes para o cérebro no processo de aprendizagem! Outros exemplos interessantes são os fobias criadas por experiências negativas.

Domine seu cérebro

Nosso cérebro tem funções incríveis que muitas pessoas passam a vida toda sem controlar. Ao entender suas emoções e controlar como e com que frequência você aprende coisas novas, você se torna não apenas um profissional melhor ao ter conhecimento de variados temas, disciplina, ser flexível e curioso, mas também será uma pessoa melhor em seus relacionamentos e até melhorará a saúde de seu cérebro e consequentemente de seu corpo. Os benefícios são muitos!

Referências e sugestões de leitura

O conteúdo deste texto foi desenvolvido com base em leituras de diversos livros e artigos na internet. Tentarei sugerir todos que me lembrar. Além disso, indico algumas boas leituras para aprofundamento no assunto.

Inside the learning brain, Association for talent development;

Understanding How Our Brains Learn, Uplift;

How the brain learns, training industry;

The parts of the brain that affect learning, Live strong.

Alan Dantas