Autoconsciência: Um super poder

Imagine um rapaz em um ônibus tentando ler um livro que o atraiu muito. Ele se esforça e começa e logo se empolga com a leitura. Antes da vigésima página, porém, um sentimento ruim o invade e logo ele se sente incapaz e desiste de ler tal livro. O mesmo livro que há minutos o atraia tanto! O que houve?

Este (não mais tão) jovem era, por acaso, Eu, e o livro era “Ted Talks – o Guia Oficial do Ted Para Falar Em Público”. Este jovem sabia que o sentimento foi causado pela TV ligada logo que começou a ler o livro. Este jovem se conhecia o suficiente para saber que é mais auditivo, ou seja, que recebe e prioriza mais informações pela audição do que por outros sentidos e portanto, pôde cancelar o ruído para continuar a interessante leitura.

Agora responda: Você conhece mais jovens que desistem de atividades cognitivas por não se conhecerem ou que se conhecem e alteram o ambiente ao seu redor para continuar engajados em atividades que exigem atenção e foco? Acredito que sei sua resposta. Veja então como eu tive a oportunidade única de me entender e melhor entender como funcionamos no aprendizado e então quem sabe você não se junta a mim nesta missão incrível que é educar humana e cognitivamente?

Como tudo começou

Eu nasci em uma família carente de muitas coisas, mas acima de tudo de recursos e conhecimento para a educação das crianças. Desde pequeno percebia que aprendia certas coisas muito bem e outras não entravam na minha cabeça de forma alguma. Até aí tudo bem, só mais um jovem mediano no ensino público estadual, não? Não. Eu comecei a desenvolver problemas de foco e atenção na maioria das matérias. Leitura, da mais básica possível, era um desafio de gigante para mim. Aos doze para os treze anos (ou treze para catorze, não me recordo), Deus me deu uma oportunidade incrível de me entender melhor. Eu sofri uma queimadura de quarto grau na mão esquerda e terceiro e segundo graus no braço todo durante uma negligência adulta com fogos de artifícios em uma festa de fim de ano. Detalhe: Eu era canhoto.

Trauma que virou benção

Depois de mais de um ano e meio de cirurgias, matérias perdidas e quase reprova na escola (graças a aprovação automática que havia sido implantada na época, passei!) comecei a me adaptar à nova vida com menos amigos, menos interações sociais e uma nova habilidade incrível que ganhei com a introspecção. Me tornei um observador assíduo e as minhas primeiras e maiores observações foram de dentro para fora. Com o maior tempo sozinho, comecei a estudar mais e a entender padrões sentimentais e mentais meus durante cada situação familiar. Foi mais um ano de experimentos até chegar à conclusão que aprendia muito se as instruções fossem recebidas através da audição e que tinha dificuldades extremas em aprender vendo ou fazendo algo. Ainda não sabia dar nome à coisa alguma, mas compreendi um padrão e o segui enquanto o aperfeiçoava.

Aprendendo a aprender

Logo comecei a manipular meu ambiente e a forma de aprendizado para minha vantagem cognitiva. Comecei com o isolamento completo (sonoro e social). Logo, comecei a usar conteúdo online falado para aprender e compreender livros mais complexos. De repente, era um dos mais inteligentes do ensino médio, era fluente em Inglês e fazia mágica com computadores, especialmente os dos primos e vizinhos, que sofriam com os vírus e invasões para fingir que seus computadores estavam mal assombrados. De repente, me tornei Jovem Embaixador do Brasil nos EUA e conheci a educação cognitiva usada ainda timidamente nos Estados Unidos. Então comecei a dar nome ao padrão que havia conhecimento nativamente.

Aprendizados

Aprendi que a forma com que somos criados e estimulados definem como enxergamos o mundo e como recebemos e priorizamos as formas de entrada de informação. Descobri que quanto mais a sociedade avança, mais distintas são essas formas de abordar o mundo e o mais triste: aprendi que a maioria de nossos professores ainda dão aula (e são ensinados a dar aula) como há 50 anos atrás, quando tudo que o mercado precisava era de profissionais que sabiam ler e escrever razoavelmente bem para operar máquinas na produção industrial. Desde então não parei de me aperfeiçoar e espalhar informações sobre aprendizado cognitivo e múltiplas inteligências.

Ainda há muitos desafios para que a neurociência seja aplicada corretamente nas salas de aula, pois existem muitos mitos e extremismos atrelados à ideia. Isto é compreensível, uma vez que toda nova ideia exige mudança de hábitos e mudar a forma de ensinar que vem sido aplicada há décadas não será uma tarefa fácil, mas necessária e urgente.

Trabalho atual

Hoje trabalho com educação de idiomas, T.I. e acima de tudo palestras e treinamento (na maior parte voluntariamente) para professores e alunos para espalhar a boa nova que aprendi de forma tão mágica e conveniente. Muitos me perguntam porque não trabalho com ensino de T.I., gestão ou até mesmo em uma grande empresa fora do Brasil, onde teria um salário fixo, férias e uma rotina previsível e segundo eles, mais interessante.

Até Agosto de 2017 eu não sabia como responder exatamente, mas agora já descobri a resposta. Ao ter uma revelação tão grande em idade tão jovem, eu também recebi a responsabilidade de partilhar estas conclusões. Isto é minha missão, ao menos até os atuais 25 anos de idade. Além do mais, seria contraditório descobrir a habilidade de usar o cérebro tão bem para o aprendizado e não ter um trabalho desafiador, não é mesmo?

Ainda há muito a aprender, mas convido a você Pai, Mãe, Irmão, Professor, quem seja. Vamos mostrar aos jovens que eles são SIM inteligentes, que eles podem SIM conquistar um futuro melhor e que isso começa com consciência de suas limitações e vantagens cognitivas e a habilidade de manipular seu ambiente social para que tire o máximo de seu processo de aprendizado. Vamos mostrar que aprender é divertido e libertador!

Estou me disponibilizando para qualquer tipo de assistência, apoio, palestra, treinamento, dica ou sugestão de aprendizagem! Se conecte e entre em contato comigo pelo Facebook, LinkedIn, onde você pode ver um pouco dos cursos relacionados ao assunto que andei fazendo e ainda faço, ou por E-mail.

Alan Dantas