Por muito tempo acreditamos que existem pessoas com certos dons e outras que, infelizmente, não. Este conceito vem da crença de que o cérebro é imutável e que cada um possui certas habilidades por aleatoridades genéticas e portanto tem seu destino profissional e acadêmico já determinado na infância. Esta ideia tem regido as salas de aula – consciente ou inconscientemente – por muito tempo, e o resultado não é nada bom, mas podemos mudar este cenário com a educação cognitiva.

Mudando o cenário

O nome dado para esta forma de pensar é “mentalidade fixa” ou seja, uma forma de pensar que não prega a evolução, apenas a sobrevivência dentro de um contexto educacional ou social. O problema desta mentalidade é que além de não permitir que alunos cresçam acadêmica e pessoalmente, ela já foi desbancada pela ciência. Além da excelente teoria das multiplas inteligências, que teorizou as principais formas de recepção de infomação do cérebro humano e afirmou que cada pessoa tem uma tendência de recepção maior por um ou outro meio de entrada, cientistas já conseguiram comprovar que as conexões e até a quimíca do cérebro podem mudar de acordo com novas experiências e aprendizagem de um indivíduo.

Primeiros passos

Sabendo que o cérebro de cada um é literalmente uma massa de modelar completamente diferente da outra, como podemos aplicar a mesma técnica arcaica de ensino e esperar resultados similarmente satisfatórios? Tal expectativa é não apenas injusta, mas impossível. O problema é que só agora a ciência está parando de estudar “O Cérebro humano” e começando a estudar cérebros de seres humanos, o que está gerando dados incríveis sobre as diferentes formas de aprender e as genialidades inalcançadas por ignorância dos intermedários entre o conhecimento e os aprendizes. Tal conhecimento provavelmente demorará para chegar às salas de aula, por isso os educadores precisam ir atrás dessas informações e deixar de esperar pelos meios convencionais de ensino e preparo, pois nem estes ainda dominam tais conhecimentos cognitivos.

Um grande passo nesta jornada da educação cognitiva é sem dúvida a mentalidade de crescimento ou growth mindset. Tal mentalidade leva os alunos a compreenderem de forma não técnica a flexibilidade de seus cérebros e habilidades, aumentando suas crenças em si mesmos e em seus esforços. O professor é sem dúvida o intermediário maior entre tal mentalidade e seus alunos, através de seus feedback, divisão de grupos e formas de interação e parabenização por metas alcançadas. O professor precisa, através das ferramentas mencionadas anteriormente, mostrar para os alunos que toda conquista é precedida de esforço e preparo e que mesmo que existam tendências nas habilidades de cada um, todos têm desvantagens em determinado assunto, o que pode ser exposto através de feedbacks públicos ou particulares, que podem se tornar dinâmicas em grupo para discussão de esforços, vantagens e desvantagens que cada um tem em determinadas matérias, humanizando os colegas e seus esforços.

Conclusão

Para finalizar a primeira postagem da sére Brainstorm for a better Brazil, deixo algumas formas de pensamentos que podem ser utéis na hora de pensar no que fazer ou deixar de fazer na hora de preparar suas aulas.

Enquanto um aluno de mentalidade fixa pensa que o fracasso limita suas habilidades, o aluno com mentalidade de crescimento deve pensar que o fracasso é uma oportunidade de crescimento. Seus alunos devem acreditar que podem aprender qualquer coisa e não que é bom em algo ou não é. Alunos precisam entender o valor que os desafios trazem para suas vidas em vários aspectos, pois assim entenderão que seus esforços e atitudes determinam seus sucesso e habilidades. Para isso, o professor precisa mostrar que feedback é construtivo e não algo pessoal e cheio de clichês como “A prática leva à perfeição”. Feedbacks dinâmicos e humanos fazem seus alunos com dificuldades se inspirarem nos que conseguiram e não os invejarem ou se sentirem inferiores.

Referências:

Neuroscience of learning

What if… neuroscience could change education?

Growth Mindset